sábado, 13 de julho de 2019

Discordar sem ofender


Descubra como agir diante de pessoas e ideias que não combinam com você e que ferem os seus valores


O problema de algumas pessoas não é ter opiniões próprias, mas não saber como expressá-las. Pensam que o fato de serem inteligentes e questionadoras lhes dá o direito de abrir mão das boas maneiras. Será? É verdade que diplomacia e palavras educadas não resolvem tudo. Também é certo que a tintura social de muitos sorrisos amarelos em “caras de paisagem” podem não ser mais que sinal de hipocrisia. E daí? Isso nos daria o direito de agir teimosamente como justiceiros autorizados, como legítimos donos da verdade? Isso seria suficiente para justificar uma “boa” briga? Afinal de contas, seria a contradição ou o cinismo alheio uma boa razão para haver de minha parte uma atitude agressiva “moralmente defensável”?

Deve existir, imagino eu, um ponto de equilíbrio possível, ou ao menos desejável, entre a busca pela verdade e o respeito pelo adversário, por mais desprezível e desonesto que ele seja. Deve haver ocasiões, ao menos algumas, em que a eletricidade negativa da justa indignação contra as coisas erradas deva ser canalizada de forma mais produtiva que destrutiva. Não se trata apenas de etiqueta, portanto. Vai além disso. Forma e conteúdo nem sempre são coisas separadas, são? Aparência e essência se relacionam às vezes de um jeito mais complexo e desafiador do que supõe a nossa vã filosofia.

Por essa razão, na vida em sociedade, a busca e a defesa da verdade nunca serão apenas um exercício intelectual frio, solitário e abstrato. Sempre terão que incluir na fórmula – (in)felizmente! – as pessoas envolvidas no processo, suas histórias, mazelas e sentimentos, tanto os alheios como os próprios. A mesma mente inquieta que reivindica não negar a realidade deveria admitir que é impossível conhecer o que quer que seja sem antes conhecer a si próprio, sem “ser”, sem explorar a fundo o próprio coração. Em outras palavras, quanto menos sei quem sou, ou quanto mais me afasto de minha essência, tanto mais distorcido e incompleto será meu conhecimento sobre o mundo, sobre a vida, sobre tudo. Alienar-se é sinônimo de estranhar-se, isto é, significa olhar no espelho e não reconhecer a si próprio; por ter ido longe demais, por ter negado as próprias fragilidades em vez de tratá-las e remediá-las com cuidado e amor.

Essa rejeição do próprio eu limita o potencial de nossa mente para pensar e agir. Não parece, mas no fundo é algo simples. Só se complica quem quiser. Na análise dos fatos (numa querela, por exemplo), pode até existir maior ou menor objetividade, porém a objetividade absoluta é algo que está fora do alcance e da esfera humanas; é coisa de Deus, só Dele. Observar o mundo, pensá-lo, entendê-lo, questioná-lo só funciona quando, em um ato contínuo, eu também penso a mim mesmo, me entendo, me questiono. Nas palavras de Jesus, o argueiro no olho alheio não é mais importante que a trave no próprio olho (Mt 7:3-5). As duas perspectivas são inseparáveis e complementares, daí o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22:39).

O próprio Cristo nos ensinou essa lição quando, ainda criança, teve que enfrentar ideias, atitudes e práticas contrárias às Suas. Se alguém, dentro da família e da sociedade, parece não ter o direito de pensar por si, são as crianças. Ao longo dos séculos tem sido assim. A infantilidade e imaturidade típicas das crianças em parte justificam isso. Todo mundo parece se sentir no direito de ensiná-las. Com Jesus não foi diferente. Agora, imagine o Mestre dos mestres tendo que, aos 12 anos, discordar dos rabinos encarregados de instruí-Lo! Mesmo assim, diz Ellen White, “Ele cuidava em não falar desrespeitosamente desses professores” (Vida de Jesus, p. 25). Imagine o Pai de Todos sendo o filho submisso de um homem e uma mulher com deslizes e defeitos de caráter semelhantes aos seus e aos meus. Por causa das boas intenções dos pais, “Jesus sofreu pressões, as quais foram difíceis de suportar” (p. 25). Imagine as ameaças e chacotas que os irmãos e amigos de infância Lhe faziam. Ele, porém, “não reprovava as más ações de Seus irmãos, mas lhes mostrava o que Deus havia dito” (p. 26). Além de cortês e bondoso, Ele era inteligente e alegre, por isso apreciavam tanto Sua companhia. Agora, imagine Jesus frequentando uma igreja imperfeita, com membros iguais ou piores que aqueles que encontramos em nossas próprias comunidades de fé no século 21. Imagine-O andando pelas ruas de Nazaré, cheias de sujeira e pobreza de todo tipo: física, cultural e moral. Ele bem que poderia ter chutado o balde, não é? Poderia ter brandido a espada e se levantado ferozmente com o chicote na mão. Poderia ter amaldiçoado a todos e mandado todo mundo para o inferno, não é mesmo? Ele tinha tudo para assumir a postura de justiceiro. Ele tinha, por assim dizer, telhado de vidro, pois era santo, perfeito, impecável. Estava no direito de condenar e chamar todo mundo de sepulcro caiado e raça de víboras, certo?

Entretanto, Jesus não agiu assim. “Jesus não reivindicava Seus direitos. […] Íntegro e puro, caminhava entre os negligentes, os brutos, os intratáveis, entre os coletores de impostos desonestos, entre os pródigos perdulários, entre os samaritanos injustos, entre os soldados pagãos, entre os camponeses rudes. Distribuía palavras de simpatia aqui e ali. Quando encontrava alguém curvado sob os fardos da vida, aliviava-lhes o peso, repetindo as lições que havia aprendido da natureza, do amor, da simpatia e da bondade de Deus” (p. 26, 28). Exceto por uns poucos incidentes polêmicos envolvendo os líderes judeus mais obstinados de Sua época, os atos e palavras de Jesus transmitiam a todos a esperança e a amabilidade que as pessoas em geral não conseguiam encontrar em ninguém mais, senão Nele (Mt 11: 28-30; Lc 9:56; Jo 12:47). Jesus tinha boas maneiras. Era gentil e cortês não por ser um diplomata, mas por amor e respeito a todos aqueles com quem Ele entrava em contato, pessoas que Ele considerava candidatas ao Céu, não ao inferno. O amor expresso em Suas palavras (mesmo nas de reprovação) não se restringia às fórmulas de polidez socialmente aceitas. Ia além. Incluía aparência e essência, forma e conteúdo. Quebrava alguns protocolos enquanto, curiosamente, respeitava outros (Jo 7:44-46; Mc 7:26-29). A lógica de Seus atos desafia nosso intelecto e inspira nosso coração.

Ele é nosso modelo, não os personagens caricatos inventados pelo gênio criativo de célebres escritores ou dos cineastas famosos de nosso tempo. Jesus tem a coerência da qual carecem muitos super-heróis fictícios, o amor profundo e genuíno ausente nos galãs da TV, a mente brilhante e invejável que muitos cientistas gostariam de ter, a ousadia e sofisticação de pensamento que nenhum filósofo nesta Terra jamais alcançará. O que você acha de tomá-Lo como referência na próxima vez que entrar em uma discussão (doutrinária, política ou ideológica) com alguém para defender o seu ponto de vista?

JÚLIO LEAL é pastor, doutor em Educação e editor de livros didáticos na Casa Publicadora Brasileira


Deus: crer ou não crer?


Deus existe? A maioria das pessoas acredita que sim, mas dentro dessa maioria há grupos que pouco se importam com os fundamentos bíblicos do cristianismo e outros que se importam tanto com os dogmas que se esquecem de ser cristãos; há aqueles que invocam Jeová para praticar atrocidades e aqueles que invocam a Deus para que os defenda de tamanhas atrocidades. Por tudo isso, não é de espantar o crescimento do grupo dos que declaram não ser adeptos de nenhuma religião (de 3% em 1990 saltaram para 7% em 2007 – Pesquisa Datafolha, abril de 2007). Pelo menos é o que se responde na hora fria da entrevista do pesquisador do IBGE; em horas menos incertas, não se sabe qual seria a resposta.

Discute-se hoje o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Há 200 anos, bem poucos negariam a criação de Adão e Eva, o dilúvio, a travessia do Mar Vermelho, a batalha de Davi e Golias, a ressurreição de Cristo, o apocalipse, o fim e o recomeço, o Alfa e o Ômega. Entretanto, como percebe o sociólogo Fredric Jameson, as histórias da Bíblia, nos dias de hoje, não são mais tomadas literalmente, mas figurativa e alegoricamente, e assim são “destituídas de seu conteúdo exótico ou arcaico, cuja linguagem e figuração essencialmente abstratas (ansiedade, culpa, redenção) podem agora… ser oferecidas ao público diferenciado de habitantes das cidades do Ocidente para serem recodificadas em termos de suas próprias situações privadas” (Pós-modernismo, 1997, p. 387).

Há também pessoas que acham que Deus é um ser conveniente demais para ser de verdade e que, com tantos motivos para inventá-Lo, Ele não passaria de uma invenção humana. Porém, não será a crença na não-existência de um plano de salvação da humanidade que parece conveniente? Explico por quê. Sem a possibilidade de ser julgado por seus atos e por sua fé, muitos adorariam fazer o que bem entendem da vida (e já não o fazem?) sem ter que dar explicações a nenhum ser sobrenatural e estraga-prazeres. Parafraseando Luc Ferry, seria o caso apenas de tomar o que esse mundo individualista oferece de melhor e começar a corrigi-lo com umas boas doses de humanismo. Nenhum céu a perder, nenhuma eternidade a ganhar. Para estes, o sentido da vida é que a vida não teria sentido. Muito conveniente, não?

Há outro grupo de não-crentes: os que fazem questão de erradicar a religião. Em entrevista a The New Republic, o escritor Ian McKewan falou de seu ateísmo e disse que a idéia de suprimir a religião é terrível. sua frase parece mais sensata em tempos dos exterminadores Dawkins, Hitchens e cia, pregadores fundamentalistas de uma retórica anti-religião. Estes são denominados “brights” e renegam qualquer pensamento de explicação sobrenatural da história do Universo e do homem. Alguns deles, como Daniel Dennett, em Quebrando o Encanto, considera impossível o convívio entre ciência e religião, como se o indivíduo não pudesse conciliar a ambas. Hitchens, em Deus não é Grande, é um polemista, e como tal, chega a apregoar a irrelevância do cristianismo na tradição cultural da humanidade. Bem se vê que na luta para suprimir a fé e eleger exclusivamente a razão, pode-se perder a razão.

Sobre um personagem de um conto em ficções, Jorge Luis Borges diz que “Buckley não acredita em Deus, mas quer demonstrar ao Deus não-existente que os homens mortais são capazes de conceber um mundo”. Interpreto essa frase como dirigida ao grupo daqueles que até crêem na existência de Deus, mas prefeririam que Ele não existisse, pois seria um “obstáculo” aos seus planos de vida. Os manuais do ateísmo e do agnosticismo estão disponíveis nas estantes e mesmo debaixo do braço de alguns discípulos, como se fosse uma Bíblia às avessas, pronta para ser sacada pelos Buckleys de hoje nas situações em que precisam “provar” que Deus não existe ou que as coisas não são bem assim como Moisés, Lucas e João contaram. Como escreve João Pereira Coutinho: “Acho estranho que um ateu se preocupe com aquilo que, para ele, não existe. Nada é mais estranho do que um ateu convicto que não acredita em Deus e abomina Deus.”

Por fim, há outro grupo: é o daqueles que não viram, mas crêem. Daqueles que em pleno terceiro milênio mantém um estilo de vida respaldado em um livro mal-interpretado, reprimido, mas incrivelmente capaz de fazer refletir e mudar histórias pessoais ainda hoje. A despeito de alguns denominados cristãos envergonharem a fé que dizem professar ou da mídia ocultar os bons cristãos, se alguém chegar a perguntar se é possível ainda haver fé na terra, pode apostar que tal pessoa não conhece ou finge ignorar outros modelos de viver o cristianismo, com inteligência e fé, dignidade e esperança.


Nem todos os ateus nos apontam o dedo no rosto e nem todos os cristãos ficam exaltados quando alguém não concorda com o que dizem. A vida é complexa, e Deus, o Deus de “todo aquele que nEle crê”, é um Ser simples e complexo ao mesmo tempo. E todos, em algum momento de suas existências, se vêem diante da chance de escolha entre o Deus vivo de Pedro e Paulo e o deus não-existente de Marx e Nietzsche.


(Joêzer Mendonça, Nota na Pauta)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Quando liberais e fanáticos fazem estragos na igreja

O inimigo realmente está irado com a igreja remanescente do Apocalipse, aquela cujos membros guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho Jesus (Ap 12:17). Se, por um lado, levantam-se alguns relativizando a lei de Deus, afirmando, por exemplo, que tanto faz o dia da semana que a pessoa escolhe santificar e que minimizam importantes (mas não centrais, evidentemente) aspectos comportamentais e até de saúde (como o consumo de cafeína), por outro, grupos dissidentes passam a competir com a igreja organizada. Se a igreja promove o lindo projeto Impacto Esperança, com distribuição massiva de livros que custam aos membros apenas um real a unidade (lá no fim vou contar como esse milagre é possível*), esses dissidentes promovem ao mesmo tempo seus impactos isso ou aquilo. Publicam seus próprios livros e acusam a igreja de distribuir literatura sem valor, negando-se ao diálogo (também vou comentar isso mais adiante**). Liberais e fanáticos remam para lados opostos, mas ambos afundariam o barco, se pudessem.
 
É interessante notar que relativistas e fanáticos estão nos extremos de uma mesma linha. Se uns (os liberais relativistas) desprezam os escritos de Ellen White, os outros (os fanáticos) os distorcem, descontextualizam e os apresentam sob uma falsa luz, criando até mesmo aversão a eles. Os dois grupos criam problemas e levam as pessoas a menosprezar a instituição e a igreja, o corpo que o senhor Jesus Cristo estabeleceu com Seu ministério e o apóstolo Paulo defendeu com “unhas e dentes”. Relativistas e fanáticos escrevem e agem para enfraquecer o corpo e fortalecer um ministério/negócio pessoal. Não bastassem os desafios inerentes à missão, a igreja ainda tem que lidar com as consequências do trabalho desses “desinfluenciadores” digitais inconsequentes.

A Igreja Adventista não vê com maus olhos o trabalho de ministérios de apoio. Aqui no Brasil há alguns deles, como a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que há mais de quatro décadas trabalha em consonância e em parceria com a Divisão Sul-Americana da IASD, e a Associação dos Médicos Adventistas (AMA), cuja missão consiste em “integrar, motivar e capacitar profissionais médicos adventistas para promover a divulgação da mensagem bíblica de saúde e a restauração da imagem divina no ser humano, contribuindo com a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia de abreviar a volta de Cristo”. Esses ministérios não recebem dízimos e somam seus esforços aos da igreja. São orientados pelo desejo de Jesus expresso na oração registrada em João 17. Grupos que afirmam não dialogar com a igreja e que motivam o divisionismo não podem ser considerados de “apoio”.

O White Estate já disponibilizou em sites e aplicativos em várias línguas (incluindo o português) todos os escritos de Ellen White, e a Casa Publicadora Brasileira, unida à igreja na América do Sul, tem feito grandes esforços para levar os livros de Ellen ao público (como a recente campanha de venda em massa de um lindo box contendo os cinco volumes da coleção Grande Conflito por apenas R$ 15,00, ou mesmo este projeto). Mesmo assim, os críticos levantam a voz para disseminar suspeitas e maledicências.

Graças a Deus, conforme escrevi aqui, ainda há esperança para a igreja. A tempestade está forte, querem destruir sua identidade, mas Deus está à frente e a conduzirá até o fim. De igreja militante ela será triunfante, e eu quero triunfar com ela!

Michelson Borges:

* Para que os livros missionários possam chegar aos membros da igreja ao preço de um real a unidade, há uma parceria entre instâncias administrativas e a Casa Publicadora Brasileira, que subsidiam a maior parte do custo de produção.

** Fui um dos autores do livro missionários do ano passado, O Poder da Esperança, e tanto eu quanto o Dr. Julián Melgosa doamos inteiramente como oferta os direitos autorais da obra. Posso garantir que o livro foi escrito com muita oração e consagração. Em todo o tempo tive bem claro em minha mente que a verdade distintiva para este tempo deveria estar presente naquelas páginas. Assim, o leitor, por meio de uma obra que o ajuda a ter mais saúde emocional, aprende também sobre a volta de Jesus, o estado do ser humano na morte, a lei de Deus e o sábado, o milênio, a nova Terra e até sobre criacionismo. Quem leu sabe do que estou falando. Quando os dissidentes dizem que os livros missionários são como “água com açúcar”, isso magoa profundamente os que estão envolvidos em todo o sério processo de produção desses materiais que têm levado tantas pessoas a Jesus e aberto muitas portas para o evangelho.

“Não baixa sobre a igreja nenhuma nuvem para a qual Deus não esteja preparado; nenhuma força oponente se tem erguido para opor-se à obra de Deus, que Ele não haja previsto. Tudo tem ocorrido como Ele predisse por meio de Seus profetas. Não tem deixado Sua igreja em trevas, abandonada, mas traçou em declarações proféticas o que havia de acontecer, e mediante Suas providências, agindo no lugar indicado na história do mundo, Ele executou aquilo que Seu Santo Espírito inspirara os profetas a predizerem. Todos os Seus desígnios se cumprirão e serão estabelecidos” (Ellen G. White, Meditação Matinal 1977, p. 16).

“Erguem-se continuamente grupos pequenos que creem que Deus está unicamente com os poucos, os dispersos, e sua influência é derribar e espalhar o que os servos de Deus constroem. Espíritos desassossegados, que desejam ver e crer constantemente alguma coisa nova surgem de contínuo, uns aqui, outros ali, fazendo todos uma obra especial para o inimigo e, todavia, pretendendo possuir a verdade. Eles ficam separados do povo a quem Deus está conduzindo e fazendo prosperar, e por meio de quem há de realizar Sua grande obra” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 1, p. 166).

Esse textos foram escritos em 1863; nessa época, sabemos que o povo que Deus estava conduzindo eram os adventistas do sétimo dia, e Ellen afirma que é por meio desse povo que Deus irá realizar Sua grande obra. Amém!

5 coisas que acontecem quando você para de comer carne





1. Reduz a inflamação no organismo
A inflamação crônica tem sido associada ao desenvolvimento de aterosclerose, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e doenças autoimunes. Em contrapartida, as dietas à base de plantas são naturalmente anti-inflamatórias. Ricas em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, elas têm menos chances de desencadear a gordura saturada e endotoxinas (toxinas liberadas a partir de bactérias comumente encontradas em alimentos de origem animal).

2. O nível de colesterol despenca
A gordura saturada, encontrada principalmente em carnes, aves, queijo e outros produtos de origem animal, é uma das principais causas do elevado índice de colesterol no sangue. E isso implica em maior risco para doenças cardíacas e derrames. Além disso, as dietas à base de vegetais são ricas em fibras, o que reduz ainda mais os níveis de colesterol no sangue. Também foi comprovado que a soja, um dos substitutos da carne, desempenha um papel na redução do colesterol.

3. A imunidade fica mais forte
Os trilhões de micro-organismos que vivem em nosso corpo são chamados de microbioma. Cada vez mais, estes micro-organismos são reconhecidos como cruciais para a nossa saúde em geral: não só ajudam a digerir os alimentos, mas também produzem nutrientes necessários, treinam nosso sistema imunológico, mantêm o intestino saudável e nos protegem do câncer. Estudos também mostraram que eles desempenham um papel importante no controle de obesidade, diabetes, inflamação do intestino, doenças autoimunes e do fígado.

4. Afasta você do diabetes tipo 2
A proteína animal, especialmente as provenientes de carne vermelha e processadas, tem sido apontada em estudos como um fator que aumenta o risco de diabetes tipo 2. Por que a carne causaria a doença? Várias razões: gordura animal, ferro de origem animal e conservantes de nitrato em carne foram comprovados como danificadores das células pancreáticas, além de piorar a inflamação e causar ganho de peso. Além disso, uma dieta baseada em vegetais pode melhorar ou até mesmo reverter o diabetes, se você já tiver sido diagnosticada.

5. Vai melhorar a quantidade e a qualidade da proteína
Os onívoros dos Estados Unidos consomem, em média, mais do que 1,5 vezes a quantidade ideal de proteínas. Ao contrário do que a maioria pensa, esse excesso de proteína não faz você mais forte ou mais magro, é armazenado como gordura ou transformado em resíduos. Por outro lado, a proteína que se encontra nos alimentos vegetais protege você de muitas doenças crônicas. Então você não precisa se preocupar com o excesso. Vai precisar, é claro, consultar um nutricionista para descobrir a quantidade mínima que você precisa para não deixar o seu organismo debilitado. (Boa Forma)

Nota: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento” (Gênesis 1:29).

Ellen White também fala sobre esse assunto no livro
A Ciência do Bom Viver, pp. 316-317:

"Quando se deixa o uso da carne, há muitas vezes uma sensação de fraqueza, uma falta de vigor. Muitos alegam isso como prova de que a carne é essencial; mas é devido a ser o alimento desta espécie estimulante, a deixar o sangue febril e os nervos estimulados, que assim se lhes sente a falta. Alguns acham tão difícil deixar de comer carne como é ao bêbado o abandonar a bebida; mas se sentirão muito melhor com a mudança.

Quando se abandona a carne, deve-se substituí-la com uma variedade de cereais, nozes, verduras e frutas, os quais serão a um tempo nutritivos e apetitosos. 

O lugar da carne deve ser preenchido com alimento são e pouco dispendioso. A esse respeito, muito depende da cozinheira. Com cuidado e habilidade se podem preparar pratos que sejam ao mesmo tempo nutritivos e saborosos, substituindo, em grande parte, o alimento cárneo. Em todos os casos, educai a consciência, aliciai a vontade, supri alimento bom, saudável, e a mudança se efetuará rapidamente, desaparecendo em breve a necessidade de carne. 

Não é o tempo de todos dispensarem a carne da alimentação? Como podem aqueles que estão buscando tornar-se puros, refinados e santos a fim de poderem fruir a companhia dos anjos celestes continuar a usar como alimento qualquer coisa que exerça tão nocivo efeito na alma e no corpo? Como podem tirar a vida às criaturas de Deus a fim de consumirem a carne como uma iguaria? Volvam antes à saudável e deliciosa alimentação dada ao homem no princípio, e a praticarem e ensinarem a seus filhos a misericórdia para com as mudas criaturas que Deus fez e colocou sob nosso domínio."

5 coisas que acontecem quando você para de comer carne



Doce veneno


Açúcar refinado é o flagelo do corpo e da mente

Durante a vida média do brasileiro, circularão pelo seu organismo aproximadamente 4,5 toneladas de açúcar refinado

Para os que desejam melhorar a qualidade e a expectativa de vida, a eliminação ou redução drástica do consumo de açúcar refinado em qualquer forma é um dos passos mais importantes. Esse produto tem um efeito devastador na saúde física e mental da maioria dos consumidores. Boa porcentagem das enfermidades metabólicas e neuropsiquiátricas que afetam o ser humano moderno tem origem no consumo excessivo dessa caloria vazia. Obesidade, diabetes tipo 2, depressão e hiperatividade são os problemas mais comuns relacionados ao uso do açúcar refinado. Mesmo nos casos em que não há uma relação direta, o açúcar pode exacerbar os sintomas e a progressão dessas enfermidades. Por exemplo, uma pessoa com depressão relacionada a traumas psicológicos obteria grandes benefícios evitando seu consumo.

O Brasil é o maior produtor de açúcar de cana do mundo e o segundo maior consumidor, com um total anual per capita de 60 quilos. Isso significa que, durante a vida média do brasileiro, circularão pelo seu organismo aproximadamente 4,5 toneladas de açúcar refinado. Essa estimativa é conservadora, porque não se considera o açúcar de outras origens, como o de milho e o de frutas. Nos Estados Unidos, o consumo atinge 75 quilos por ano, e os especialistas sugerem que a quantidade de açúcar refinado consumido anualmente pode equivaler ao peso do consumidor. Quando menciono essas estatísticas, muitos não se incluem nelas, pensando que estou falando do açúcar adicionado no momento do consumo de algum alimento. Não é isso. Tais estimativas se referem ao açúcar que vem embutido na maioria dos alimentos processados. No mercado americano de alimentos existem aproximadamente 700 mil itens de consumo, e calcula-se que mais de 500 mil itens estejam lotados de açúcar.

Tecnicamente, o açúcar refinado pode ser considerado uma droga, porque, no processo do refinamento, perde água, fibras, minerais, vitaminas e proteínas, tornando-se 99,5% sacarose. Ingerido nesse estado, sem os outros elementos que acompanham o processo de digestão, absorção e assimilação, ele desencadeia uma série de mecanismos compensatórios, roubando nutrientes do organismo, entre eles o cálcio e diversas vitaminas.

Em muitas pessoas, o açúcar tende a provocar uma elevação súbita da glicemia, que, às vezes, é seguida de uma reação aguda do pâncreas, produzindo insulina em quantidades altas e gerando oscilações glicêmicas. Isso pode levar a transtornos do humor, irritabilidade, impaciência, intolerância e até violência.
Por sua vez, um estudo realizado para determinar os índices de câncer e sua relação com o açúcar constatou que, quanto maior é o consumo do produto, maiores são as taxas de óbitos por essa enfermidade.

É necessário, portanto, estabelecer uma estratégia eficaz para a redução ou eliminação do consumo de açúcar refinado. Como ele pode provocar dependência em alguns indivíduos, às vezes ocorrem crises de abstinência por um período. Veja algumas dicas:

1. Pelas razões mencionadas, evite todos os alimentos processados, uma vez que a maioria contém muito açúcar.

2. Evite sucos adoçados e refrigerantes. Eles contribuem com grande parte da ingestão de açúcar. Para evitar a compulsão pelos sucos e refrigerantes, tenha sempre água ao seu alcance. Quando tiver vontade de tomar esses líquidos, beba água imediatamente, e o desejo irá desaparecer.

3. Substitua os alimentos refinados pelos integrais para evitar as variações bruscas que esses alimentos produzem nos níveis de glicemia e insulina, o que leva a um ciclo vicioso de fome e ingestão de calorias vazias.

4. Se preferir, utilize mel de abelhas ou melado de cana com moderação. Lembre-se de que a glicose de que nosso corpo necessita se encontra em muitos alimentos. Na realidade, o açúcar pode ser 100% dispensável.

Os resultados para a saúde física e mental serão fabulosos. Isso sem falar nos possíveis efeitos positivos sobre o caráter e a espiritualidade.

SILMAR CRISTO é médico, consultor e autor de vários livros sobre saúde e qualidade de vida